Jornalismo e violência contra mulheres: o livro-reportagem do #MeToo e o sentido político da quebra de silêncio

Autores

  • Lais de Mello Rocio Universidade Federal do Espírito Santo, ES, Brasil
  • Rafael da Silva Paes Henriques Universidade Federal do Espírito Santo, ES, Brasil

Palavras-chave:

jornalismo, objetividade, feminismo, perspectiva de gênero, #MeToo

Resumo

Este artigo discute alguns dos entendimentos de objetividade jornalística, buscando caracterizar esse importante princípio não como a negação da subjetividade, mas como sendo o compromisso com a dimensão factual dos acontecimentos. Em um segundo momento, apresentamos aspectos da epistemologia feminista que reforçam a potência da subjetividade. Em vez de polo que pode substituir a objetividade na determinação dos acontecimentos, apropriamo-nos da perspectiva feminista para um entendimento da subjetividade, justamente como condição de possibilidade para uma correta interpretação dos fatos de interesse jornalístico. Por último, por meio da metodologia do enquadramento (ENTMAN, 1993), descrevemos os quadros reivindicados por repórteres do New York Times no livro-reportagem sobre os assédios do #MeToo (KANTOR; TWOHEY, 2019), com intuito de verificar se tais enquadramentos apresentam uma forma mais crítica e menos automática de entender o fenômeno da violência de gênero.

Biografia do Autor

  • Lais de Mello Rocio, Universidade Federal do Espírito Santo, ES, Brasil

    Mestranda em Comunicação e Territorialidades pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), com pesquisa voltada para jornalismo literário, representação feminina e violência de gênero em contextos históricos. Formada em Jornalismo pela UFES, atua como jornalista e assessora de imprensa e de comunicação em diferentes áreas, como política, cultura e direitos humanos.

  • Rafael da Silva Paes Henriques, Universidade Federal do Espírito Santo, ES, Brasil
    Graduado em Comunicação Social, habilitação em Jornalismo, e em Filosofia pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). Mestre Ciências da Comunicação pela Universidade do Minho (Portugal) e doutor em Filosofia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Realizou estágio de pós-doutorado na Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atualmente, é professor do Departamento de Comunicação Social e do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Territorialidades da UFES.

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Publicado

2021-08-31

Edição

Seção

Dossiê “Gênero, mídia e política”