Gênero, autonomia e subjetivação política de mulheres negras no Brasil

Angela Cristina Salgueiro Marques, Viviane Gonçalves Freitas

Resumo


Este artigo pretende discutir as operações que tornam certos sujeitos e grupos reconhecíveis e valorizáveis, enquanto outros são claramente
destituídos de respeito e consideração. Argumentamos que o desrespeito às mulheres negras envolve a produção de narrativas e enunciados
que traçam distinções valorativas entre modos de vida considerados dignos e aqueles amplamente percebidos como menosprezáveis. Nesse
contexto, a autonomia envolve, assim, um jogo delicado de poder entre a invizibilização biopolítica de constrangimentos às ações dessas
mulheres e a visibilização de experiências que não são totalmente identifcadas pelos padrões de dominação como, por exemplo, as narrativas
e testemunhos de mulheres negras registrados online. Ao apresentar respostas ativistas a opressões interseccionais de raça, classe, gênero,
sexualidade, religião e nacionalidade, mostramos como a imprensa feminista, através de sites, blogs e páginas do Facebook, debate questões
fora do mainstream da mídia comercial mulheres negras, autonomia, mídias digitais, experiência

Palavras-chave


mulheres negras, autonomia, mídias digitais, experiência

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